Pão de Açúcar, Casas Bahia, Habib’s e Tok&Stok estão entre as 12 grandes empresas que pediram recuperação judicial ou extrajudicial no país em 2026, segundo reportagem da TV Brasil. Os nomes conhecidos chamam a atenção, mas são apenas a ponta de um movimento muito maior, que atinge principalmente pequenas e médias empresas.
Quantas empresas estão em recuperação judicial em 2026
Segundo o Monitor RGF de Recuperação Judicial, o Brasil chegou a 6.513 empresas em recuperação judicial em maio de 2026, o maior número da série. Ao fim de junho, eram 6.341, alta de 6,2% em relação ao fim de 2025. No primeiro trimestre de 2023, eram 4.014: um crescimento de quase 58% em pouco mais de três anos.
O ano de 2025 já havia sido histórico. Foram 977 pedidos de recuperação judicial, envolvendo 2.466 empresas, o maior volume desde 2016, segundo a Serasa Experian.
Quem está pedindo recuperação judicial
- Médias empresas respondem por 49% dos casos;
- Pequenas empresas tiveram alta de 69% na incidência de recuperações desde 2023;
- O varejo lidera entre os setores, com 1.333 empresas em recuperação, seguido por indústria e agronegócio.
Os dados são do Monitor RGF, divulgados pela Forbes Brasil e pelo Poder360.
O denominador comum: juros altos e dívida bancária
A Selic chegou a 15% ao ano e, mesmo após os cortes de 2026, segue em 13,75%. Para empresas que dependem de capital de giro, o custo financeiro consome o caixa mês após mês. Como resumiu a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, “o custo financeiro acumulado dos últimos anos segue pressionando o caixa das empresas”.
Ao mesmo tempo, 9,2 milhões de empresas estavam inadimplentes em julho, segundo a Serasa Experian. Bancos mais defensivos exigem mais garantias para renovar operações, e muitas empresas já não têm o que oferecer.
O que muitos empresários descobrem tarde demais
A recuperação judicial costuma ser vista como uma proteção ampla. Não é. Antes de considerá-la, é preciso conhecer seus limites:
- Nem toda dívida bancária entra no processo. Créditos com alienação fiduciária e cessão fiduciária de recebíveis ficam, em regra, fora da recuperação (art. 49, § 3º, da Lei 11.101/2005), e o banco pode continuar executando essas garantias;
- O avalista continua respondendo. A recuperação da empresa não impede a cobrança contra os sócios que assinaram como garantidores (Súmula 581 do STJ);
- A proteção contra cobranças é temporária: a suspensão das execuções dura 180 dias, prorrogáveis uma única vez por igual período;
- O processo é público, longo e caro, com custos de administrador judicial, assessoria e perícias, e afeta o crédito, os fornecedores e os clientes;
- Se o plano não for cumprido, a recuperação pode ser convertida em falência.
Sinais de alerta antes da recuperação judicial
- a empresa toma capital de giro para pagar parcelas de outros empréstimos;
- o limite do cheque especial ou da conta garantida virou fonte permanente de caixa;
- os sócios assinaram aval em várias operações;
- há parcelas em atraso e o banco já fala em renegociação com garantia real;
- a empresa recebeu notificação extrajudicial ou citação em execução.
Se a sua empresa se reconhece em dois ou mais desses pontos, o problema já é estrutural. Saiba o que acontece quando o banco chega à penhora de bens por dívida bancária.
Existe caminho antes da recuperação judicial
Para boa parte das empresas, a dívida está concentrada em poucos bancos. Nesses casos, uma renegociação estruturada, apoiada na revisão dos contratos e, quando já há execução, em uma defesa técnica, costuma ser mais rápida e menos custosa do que a recuperação judicial. Compare os dois caminhos em recuperação judicial ou renegociação bancária: qual caminho seguir.
Perguntas frequentes
Quantas empresas estão em recuperação judicial em 2026?
Segundo o Monitor RGF, eram 6.341 empresas ao fim de junho de 2026, depois do recorde de 6.513 em maio.
A recuperação judicial protege o patrimônio do sócio avalista?
Não. A cobrança contra avalistas e demais garantidores pode prosseguir normalmente, conforme a Súmula 581 do STJ.
Toda dívida bancária entra na recuperação judicial?
Não. Operações garantidas por alienação fiduciária ou cessão fiduciária de recebíveis ficam, em regra, fora dos efeitos da recuperação, o que dá ao banco um poder de cobrança muito maior.
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Conteúdo informativo elaborado pela equipe de Direito Bancário Empresarial do escritório Pereira e Silva – Advocacia e Consultoria Jurídica. Este texto não substitui a análise individual de cada caso.
